Páginas

24/12/14

SEMPRE NATAL

Do nascer ao pôr do sol
se oferece um sacrifício perfeito.
Pelo Verbo,
Sol, Chave,
Filho de mulher,
Irmão de cada um.

A encarnação ainda não terminou
ainda temos fome,
ainda temos lepras,
carregamos nossa surdez
e nosso egoísmo.

Uma vez, gerado entre nós,
constantemente nascemos em Ti.
Morrem em Ti nossas fraquezas,
terminam em Ti nossas ambições
e RESSUSCITAMOS.
Sempre Natal!
Sempre Páscoa!

De Belém ou Nazaré
tomamos parte
lá oferecemos presentes,
adoramos.
Lá somos Maria, somos José,
somos anjos, pastores, 
ovelhas e abrigo.
Por que somos em Ti,
és em nós,
sempre Emanuel.

(Ir. Rosa Ramalho, fsp)


14/07/14

A LUA E EU


A lua tão bela e distante.
Quem não precisa de colo de mãe?
A solidão não pesa tanto quanto meus vícios.
É preciso presença em si.
É preciso cuidado.

(Rosa Ramalho, fsp)

07/07/14

ESTAÇÕES


Ah! Como os dias permanecem frios e quentes...
A terra onde corre leite e mel ainda é promessa.
Não gosto de surpresa,
Só se for em caixa de presente.

(Rosa Ramalho, fsp)

22/04/14

RESSUSCITANDO

Não é simples
como o Guaíba que corre
a aventura da vida.
Ressuscitados, ressuscitando, ressuscitaremos.
A cruz não esconde o motivo, a causa.
O véu da novidade é tirado com dor e libertação.
O céu continua azul
quando escutamos notícias de morte.
O Bernardo*, agora é meu! 
É minha carne, é minha dor.
Flores comuns cobrem meu jardim e 
o sol aparece tímido entre as nuvens
nesta manhã de ressurreição.
O fogo nasce a partir de dentro!
É ressurreição!

FELIZ PÁSCOA!

* Menino assassinado em Três Passos - RS



04/04/14

VIOLA CAIPIRA

Ó Firmina!
Rio abaixo 
correm suas notas e versos.
Uníssonas são suas cordas 
lamentos e lembranças.
De pranto seus ponteados,
solos e improvisos.
Cana verde, cururu, cebolão... 
não importa.
Viola não toca, fala.
Cala e reproduz 
 o que a gente tem dentro.

(Ir. Rosa Ramalho, fsp)

(Esta viola se chama Firmina)

25/03/14

MUDANÇA


Não é fácil partir.
Recolher memórias
De rostos, objetos e palavras
E guardar tudo bem embalado
Para abrir em um outro lugar.

A voz embargada
Não permite discursos.
O silêncio perdura,
Até acomodar-se
Em um lugar ainda desocupado.

(Ir. Rosa Maria Ramalho, fsp)