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02/10/23

SENSAÇÕES E VENTO

 As pétalas deixam-se acariciar
Por minhas mãos ásperas
E tornam suave o meu sentir.
 
Represo um pouco de céu
Com meus olhos
E as construções ao meu redor
Arquitetam-me sem que eu perceba.
 
Os passos em silêncio
Conquistam espaços
E a música de fora
Perde seu poder.
 
A pele tocada pelo vento
Sente mais prazer
Entre as flores.
 
E o sol, apesar de constante,
É tímido em me inspirar
Palavras de calor.
 
(Ir. Rosa Ramalho, fsp)



23/11/22

LAVANDA – PERFUME NAS MÃOS

 As mãos que tocam as flores
levam consigo o prazer do vento
que passa de forma suave contornando o meu corpo.
 
Elas não colhem e nem recolhem,
acariciam e afagam com o poder
de carregar apenas o necessário.
 
A neblina que emoldura a paisagem
deixa meus olhos mais puros
e sensíveis a qualquer surpresa.
 
O perfume que carrego nas mãos,
na lembrança e entre as páginas de um livro
é suave, nobre e eterno.

(Rosa Ramalho, fsp)








22/09/22

O CANTO DAS FLORES

 As cores chegam sem timidez
expondo a nudez de uma beleza sem fim, em mim.
O perfume que dança em meu corpo
é trazido pelo vento
E a música como o sol, resplende
marcada pelo silêncio das asas e suas buscas.

Ah, vaidade! Ah, vaidade!
Porque não transgredir as formas 
e sair por aí semeando, alucinando...
e por fim, colhendo em cestos e bocas
aquilo que só se come com os olhos
e se recolhe por sabor e promessa.

(Ir. Rosa Ramalho, fsp)




28/08/22

SOBRE CULTIVAR ROSAS

Tenha paciência, pois,
as flores são raras,
mas os espinhos são constantes.
Regue-as, alimente-as,
converse com elas, dê amor.
Mas quando necessário
pode-as com firmeza,
elas precisam disso para crescer.

(Ir. Rosa Ramalho, fsp)





23/11/21

SOBRE DAR

 No fruto 
a árvore se entrega.
E nada espera
a não ser a mão
que colhe,
que recolhe,
que acolhe
e não guarda 
nada para si,
nada de si.
(Ir. Rosa Ramalho, fsp)




09/06/21

CANTAR E FRUTIFICAR

 Os frutos já nascem na semente.
Mas é preciso vigília,
é preciso cuidado.
E a árvore oferece o sabor
aguardando a hora da surpresa
que pode acontecer
mesmo fora da estação.
Nada se impõe.
Respeita-se o processo,
a fome, a sede,
o enraizamento.
São os pássaros
os primeiros a colher os frutos,
são os livres,
são os que cantam
e sabem que voar
também se aprende.

(Ir. Rosa Ramalho, fsp)



FLOR É SER!

 Floresça!
Perfume!
Encante!
Mostre o seu melhor,
mesmo que por alguns instantes,
mesmo que ninguém veja,
floresça, perfume, encante
sabendo que tudo isso
só dura alguns instantes
e que aquilo que é eterno
está dentro.

(Rosa Ramalho, fsp)



02/03/21

O CÉU DE ROMA

 Nesta manhã de inverno,
o céu de Roma é azul e claro.
Por mais que eu não queira 
fazer poesia
um olhar desconhecido me inspira
e tira para fora,
sem a minha vontade,
uma palavra de encontro.

O desejo é de abraçar o céu
e beijar 
a terra sem fim 
para colocar cor e calor
em tudo que hoje,
dentro de mim e no mundo,
roga
 por vida.

(Ir. Rosa Ramalho, fsp)



21/02/21

MEU PEQUENO MUNDO

 Eu me distraio facilmente
com uma borboleta.
Uma pequena flor
entre as pedras da calçada
rouba a minha atenção.

Uma palavra chega em meus ouvidos
e me organiza dentro.
A água fresca que lava meu rosto
tem poder sobre mim.

Gosto de fruta verde,
gosto de fruta madura,
gosto de fruta no pé.
Acaricio as plantas
e sou parecida com elas,
frágil e exuberante.

(Ir. Rosa Ramalho, fsp)



09/06/20

PALAVRAS NOVAS

Busco palavras
no escuro da noite
na verdade do dia
que meu sentir tenta esconder
a todo custo.

As gaivotas longe da praia
não tem poesia
acobertam com seu canto
a solidão da cidade recolhida.

Os sinos são constantes e programados.
O improviso de um encontro
é capaz de gerar 
um movimento novo.

As máscaras que escondem sorrisos,
mostram olhares.
O céu desenha cachorrinhos 
com as nuvens
e brinca com a minha esperança.

(Ir. Rosa Ramalho, fsp)






17/04/20

SER MAIS, SENDO MENOS

A gente precisa de mais...
Mais sabor, mais amor.
Porque o corpo também 
se alimenta disso.

A gente precisa de mais...
Mais generosidade.
Mãos abertas
saciam todo tipo de fome.

A gente precisa de mais...
Mais música, mais silêncio.
A melodia que sai 
das mãos e da boca
massageia a pele.
O silêncio, sem pretensão,
toca a alma de leve.

A gente precisa de mais...
Mais sorrisos e mais lágrimas,
por pequenas e grandes causas.

A gente precisa de mais...
Ser mais, sendo menos.
Ser menos, sendo mais,
com simplicidade.

(Ir. Rosa Ramalho, fsp)


05/04/20

LA PRIMAVERA IN APRILE

L'abbraccio senza paura
in tempi di distanza
parla più di qualsiasi discorso.
Il gusto della delicatezza
di ogni gesto,
mi fa sentire
il sapore del paradiso.
La melodia
guidami all'incontro
della mia essenza
che balla.
La preghiera di cui ho bisogno
ha accenti diversi.
È dolce sentire
l’amore e toccarlo.

(Ir. Rosa Ramalho, fsp)



A PRIMAVERA EM ABRIL

O abraço sem medo
em tempos de distancia
fala mais que qualquer discurso.
O sabor da delicadeza
de cada gesto,
faz-me sentir-me 
o gosto do céu.
A melodia 
conduz-me ao encontro
de minha essência
que dança.
A prece que preciso,
tem sotaques diversos.
É doce sentir
o amor e  toca-lo.

(Ir. Rosa Ramalho, fsp)

16/02/20

DENTRO E FORA DE MIM

As árvores perderam suas folhas
E continuam belas.
O vento frio que me recolhe
É palco para as aves acrobatas.

A tonalidade do céu
Reflete minhas frustrações
Sem previsões.

Aquilo que é mais meu
É meu purgatório e meu céu.

(Ir. Rosa Ramalho, fsp)


25/11/19

IR E VIR

A voz declina 
em melodias suaves
na prece que me acompanha.

O frio chega lentamente
e faz-me sentir
o beijo gélido das manhãs
com a pele protegida.

Meu olhar segue atento
os estorninhos que cruzam o céu.
Algo move-me dentro. 
Em minha língua mãe 
cabem todos os meus sentimentos.

Ir e vir é tarefa e abertura.
E para isto,
visto-me de coragem e surpresa.

(Ir. Rosa Ramalho, fsp)






31/10/19

AMOR ESTRANHO

Amei a saudade
e a ela me desnudei
mostrando ao dia
meu perfume e porões.
O coração mergulhou
entre lembranças e palavras
de conforto e prudência
de uma única boca. 
Uma brisa suave pousou
em minha pele
trazendo ao presente,
o silêncio da madrugada
e o sabor aveludado da prece
que preciso.
(Ir. Rosa Ramalho, fsp)


22/09/19

DOCILIDADE E DESPOJAMENTO

As folhas não escolhem 
Por onde querem ir e,
Dóceis,
Deixam-se orientar pelo vento.

As borboletas tem asas e vontade.
Passeiam diante de meus olhos
E aterrizam nas flores
Com delicadeza. 

O plátano vigoroso
Obedece ao outono
E paciente desnuda-se.
Sua beleza está em despojar-se. 

Escrever modifica a gente dentro
De forma suave.
A dor tece poesias e aprendizados.
Abro os olhos,
Levanto a cabeça 
E vejo tudo novo.
Até mesmo o que 
É mais comum, 
É novo.
Novo é meu olhar.
(Ir. Rosa Ramalho, fsp)








15/08/19

SINTESE


Não quero tudo
Basta-me esse pouco,
Dado na cor, no olhar,
No agir, no sabor e na companhia.
É como se o vento e as mãos
Carregassem o excesso
E ficasse o pouco,
Na cor, no olhar,
No agir, no sabor e na companhia.
Quero um lugar comum
Emoldurado de ouro.
Mesa redonda, farta
Com lugar para todos.

(Ir. Rosa Ramalho, fsp)


23/07/19

ABRAÇAR = CONFIAR

São flores as palavras
que desabrocham
como se fossem manhãs.

A descoberta do outro
soma-se à confiança
da entrega
do tesouro da vida.

O elevar das mãos em adeus
guarda um olhar e lembranças.

O azul do céu se recolhe 
em um abraço
e se esparrama sobre mim,
em minha pele.

(Ir. Rosa Ramalho, fsp)


01/07/19

PARTIR E CHEGAR

O fim da tarde de inverno
Tem a cor da saudade 
Guardo tudo com cuidado
Esperando que tudo 
Tenha um novo começo 
Sem qualquer retribuição. 

Os sabores estão em mim
Como o perfume que me envolve.

Tem amor nas mãos que dizem adeus.
.
(Ir. Rosa Ramalho, fsp)


20/05/19

NO SUL


Aprendi nestes pagos
que um jardim que é cuidado, 
floresce.
E um bom mate reconcilia
e organiza qualquer caos de dentro.

Aqui, o inverno mais rigoroso
tem como moldura
um céu azul
e o minuano carrega folhas,
move lembranças
e tem a melodia 
da saudade que sinto.

E as minhas peleas...
Ah... minhas peleas.
Delas, agora me orgulho.
Toda força vem do Alto.
Toda força vem de dentro.

(Ir. Rosa Ramalho, fsp)