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07/12/16

CHAPECOENSE - UMA QUEDA, VÁRIOS APRENDIZADOS

"Que pena que é só diante de uma tragédia que a gente aprende a ser mais humano".
Ouvi esta frase de uma amiga e fiquei pensando em tudo que ouvi nestes dias... as cenas que vi na televisão e imagens nos jornais da queda do avião do nosso time, a Chape.
Eis meus aprendizados:
 Aprendi com nuestros hermanos colombianos que solidariedade também é remédio para dor.
 Aprendi que todo mundo deve ter uma paixão extra (futebol, música, arte...) para alegrar-se e chorar por ela se for preciso.
 Aprendi que ser humano precisa de ser humano, abraçar, estar junto na dor.
 Aprendi a não olhar só para minha dor, mas também consolar o outro que também está sofrendo e ninguém perguntou pela dor dele (só uma mãe é capaz disso, como a D. Ilaídes, mãe do Danilo).
 Aprendi que não se pode adiar amor, e se for possível deve-se dizer a cada instante "Eu te amo!" com palavras e gestos.
 Aprendi que toda ocasião, mesmo de derrota, pode ser uma vitória.
Aprendi o que ninguém precisaria explicar... muitas tragédias poderiam ser evitadas se fossemos mais gente, mais irmãos e menos capitalistas.
 Aprendi e entendi para que eu ganhei a vida: para ser gente, humana. E ser humana é viver e aprender a viver!

(Rosa Maria Ramalho, fsp)


26/04/15

SENDO ASSIM


            Muito mais que a estatura física e as características externas, precisamos levar em consideração, aquilo que as pessoas são em sua essência. A família onde nasceram, a cultura na qual cresceram, seus sonhos e planos para o futuro... Sua história de vida.
            Costumam dizer que sou simpática, atenciosa, prestativa, sincera, ousada, alegre. É o que costumam dizer... Sem que necessariamente eu seja sempre assim, pois concordo com Clarice Lispector quando diz: “Sou como você me vê. Posso ser leve como uma brisa ou forte como uma ventania, depende de quando e como você me vê passar.”
Penso que definir-se, seja limitar-se pois tudo muda o tempo todo. Entretanto, nesta fase de minha vida, digo que sou como um pássaro fortalecendo as asas para vôos mais altos e distantes. Asas que custam voar além do que já consigo, penas que doem enquanto crescem, desafios que me fazem ter vontade de só ficar no ninho...
            Sou uma mulher que sonha, que falha, que luta, que reza, que briga, que ama. Sou todas as fases da lua, as quatro estações do ano, os sete sentidos aflorados; todos de uma só vez.
            Conhece bem a mim, quem antes conhece a si. Sabe como sou, quem abriu seu coração e me recebeu na verdade nua e crua, sem esperar algo em troca... Apenas pela gratuidade e na reciprocidade.
            Sou a transparência do riacho na mata, a verdade dita no olhar, a simplicidade da margarida sem perfume, a bondade da criança que oferece seu carinho a quem nunca viu, a honestidade de fazer o bem no anonimato, a teimosia de crer que é teimoso quem teima comigo, o ciúme do filhinho mais velho ao ver seu irmão recém nascido no seio na mãe, o drama tenebroso feita aquela cena com música de suspense, a loucura de ser sempre a mesma, sendo diferente.
           

Aline Ruediger – Abril/2015



06/03/15

O VENTO


Em um balanço branco, de dois lugares, estou sentada a observar um jardim. Um jardim e sua diversidade. Paro uns instantes e penso neste mesmo lugar esverdeado e florido, quando ainda não era o que é. Barro vermelho e aterrado, mas que na sua essência, também era belo. Pastoso, pedregoso, seco ou com lama, alaranjado vibrante.
Ali, pronto para a qualquer momento, ser modificado, transformado. A sua frente um muro, atrás, uma casa. Quem sabe uma piscina ou calçamento seria uma boa ideia? Nem um e nem outro. Apenas sementes e paciência. Herdei do meu pai, esse amor pela natureza. De ver além do que ela apresenta.
Ele sempre me explicou que tem tal planta deve ser posta abaixo de outra, pois não gosta de calor. Aquela outra que por se desenvolver mais, precisa ser replantada do vaso para um espaço maior. Ainda aquela que prefere uma terra mais úmida e que combina com a beira do rio. Essa frutífera perto do muro, para conseguirmos colher quando der frutos. Talvez perto de onde os pássaros gostam de cantar, para que tenham alimento...
A grama a crescer, esperando ser aparada. Árvores, de tronco fino, comprido, enrugado ou liso. Com outras flores penduradas. Folhas coloridas, formatos variados, cheiros diferentes, texturas distintas.
            A semente germinando tanto nos ensina: o cuidado com a terra, o adubo, o tempo certo para plantar. Depois, o sol, a chuva, as pragas. Como viveriam somente de sol, se é com as tempestades que crescem? A água infiltrada, o vento dando a forma.
O vento... Estou quase chegando à conclusão que as melhores ‘coisas’ são como o vento. Não a vemos, apenas as sentimos – como sentimentos sem descrição.
E ainda sentada a observar um jardim, o comparo com uma família ou com a vida comunitária. Onde cada um(a) tem seu jeito, formato, dons e limitações, mas que com paciência e se ajudando mutuamente, crescem e progridem juntos. E o mais fascinante... Tornam a vida mais bela, tipo como o vento, sem descrição.


Aline Ruediger – Fevereiro/2015


APAIXONE-SE PELA VERDADE!

Tive uma fase na vida, que cansada de justificar e argumentar algumas coisas, eu mentia. Não lembro bem, mas era pré-adolescente, talvez com uns 11 anos. Tudo começou com uma mentirinha de nada, que foi tornando proporção e que chegou num momento que eu já não sabia o que havia mentido. Ao mesmo tempo que eram situações complicadas, estarei mentindo se disser que não era divertido. Talvez fosse divertido pelo embaraçamento que aquilo causava e também pela minha criatividade de reinventar outra mentira e mais outra e outra.
Mas se tratando de mentir uma ou outra coisinha a meu respeito, é diferente de mentir para ou de alguém – especialmente quando se trata de mentir para si mesma. Quando acima cito que tudo começou com uma mentirinha, trago como exemplo a mentira da minha idade, quem sabe a descrição do lugar onde moro e etc. Mentiras aparentemente tolas, mas que se tornavam uma bola de neve que não derretia rapidamente.
Quando dei por mim, que estava mentindo demais e que aquilo fazia mal a mim e as pessoas que eu convivia, já havia passado um ano. E aprendi que mentir é feio, da maneira mais trágica possível.             
Ali, no auge do ‘descobrimento do mundo’, apaixonei-me por um grande amigo – aquele tipo que te faz despertar novos interesses, apresentando novas bandas, novos amigos, fazendo você tomar gosto por outro estilo de vida, cultura... Te levando a festas, convidando para viajar e sendo parceria em todos os momentos. Apaixonei-me e nossa amizade foi seguindo em frente. Foram anos de cumplicidade, mas nada além de amizade. Ele dizia que a amizade é um amor que nunca morre e que poderia me magoar e vice-versa e apesar de termos tido vivido muitas situações, o respeito e o carinho mútuo permaneciam.
Cadê a mentira nesse episódio tão inocente e singelo? Por aquelas tantas histórias e andanças, conheci muita gente! Pessoas que passaram por minha vida e deixaram marcas na maneira de ser e de levar a vida... Jovens e adolescentes de cidades diferentes e que se encontravam virtualmente ou combinavam algo toda semana.
Indas e vindas, comum em qualquer grupo que convive e se relaciona, tiveram ocasiões de conflitos, seja por ciúme, inveja ou divergências de opiniões – mas, friso e faço valer, as partilhas de vida, as fotografias, os aprendizados, as novidades, inúmeras vezes o sorriso, a música, o filme, o abraço, o consolo e a diversão.
Com os sentimentos aflorados e até devido a felicidade que sentia por fazer parte de uma turma tão dinâmica e cheia de diferenças parecidas, eu costumava dizer “Eu te amo” para todo mundo. Claro que era todo mundo que eu gostava e queria perto de mim... Porém, um longo tempo depois, quando declarei meu amor por esse amigo, ele me respondeu direto e objetivamente: “- Eu posso acreditar nisso? Você diz que ama todo mundo!”
Obviamente que a conversa não terminou ali. Ele pôs-se a contar suas experiências passadas, a importância de discernir o que verdadeiramente sentimos e de como a verdade dita com compaixão é capaz de fazer-se apaixonar por ela.

Aline Ruediger – Dezembro/2014